| prédio & entorno ::: século XIX Depois da chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808, o Rio de Janeiro se transformou rapidamente, beneficiando-se da abertura comercial e crescendo, para abrigar as quase 15 mil pessoas que haviam acompanhado o monarca português. Este se instalou no Palácio dos Vice-Reis (1), o antigo Paço, e presidiu à criação de instituições dignas da capital de um reino: a Biblioteca Pública, a Imprensa Real, o Jardim Botânico, a Academia de Belas Artes e o Real Teatro.
Para facilitar a comunicação dos caminhos que levavam a Botafogo e Laranjeiras com a área portuária, foi alargada a estreita passagem (2) entre a Ajuda e a Misericórdia, defronte à Igreja de Santa Luzia. Assim, foi melhorado o acesso também ao conjunto (3) formado pela Fortaleza do Calabouço, Casa do Trem e Arsenal de Guerra que a partir da Independência, em 1822, se transformou num grande centro de produção e armazenamento de armas e munições para o Exército. O conjunto básico do que viria a ser o MHN
estava então completo: em uma extremidade, o velho Forte de São Tiago. Acompanhando a
praia, seguiam-se o Arsenal de Guerra e a Casa do Trem. Nesses prédios estavam as
primeiras instalações manufatureiras de grande porte criadas no Brasil, cuja
importância manteve-se por todo o período Imperial, prolongando-se pelos primeiros anos
da República, até a desativação militar do Arsenal, em 1902. Como era uma unidade
fabril, o prédio teve durante todo esse período uma arquitetura sóbria, com apenas
pequenas variações perceptíveis no estilo de alguns dos diversos anexos construídos ao
longo dos anos, como as arcadas em arco pleno (e não mais abatidos) do anexo principal
(nos fundos do Arsenal, construído na década de 1820) e do Pátio dos Menores (atual
Pátio dos Canhões, anexo construído em 1838). |
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