Exposição "A Sedução do Oriente: A arte asiática na coleção do Museu Histórico Nacional"

PROGRAMAÇÃO 2008

VOLTAR


Em cartaz a partir de 14 de novembro de 2008, a exposição "A Sedução do Oriente: A arte asiática na coleção do Museu Histórico Nacional" marca a realização de uma grande mostra anual com acervo da própria instituição e apoio da Associação dos Amigos do Museu Histórico Nacional, visando dinamizar as coleções em reserva técnica e propiciar ao público a oportunidade de apreciar relevantes conjuntos de peças que servem de fonte de estudos e induzem à reflexão sobre a nossa história.
“A Sedução do Oriente: A arte asiática na coleção do Museu Histórico Nacional” reúne peças provenientes de diversas regiões – China, Japão, Coréia, Índia e até mesmo da antiga Pérsia (atual Irã) – que, de inegável valor estético e histórico, expressam o fascínio e a curiosidade que as civilizações do Oriente exercem sobre Brasil desde o período colonial.


A exposição está dividida em módulos temáticos, a saber: arte (esculturas, pinturas e gravuras); religião (esculturas religiosas, vasos e incensários de templos; indumentária e acessórios (trajes, jóias,leques, quimonos etc) ; numismática; armaria e objetos de interiores (serviços de mesa, peças decorativas).
Destaque para a coleção de indumentária e acessórios, inclusive jóias, entre os quais o traje formal de corte (chaofu) do Imperador da China, o par de sapatos em seda preta e branca, bordado a fios de ouro e prata, usado pelas damas chinesas de alta classe social, que tinham os pés deformados na infância, e exemplares do "Netsukê" em marfim , peças muito raras usadas para prender objetos ao cinto do quimono.


Interessantes, ainda, o originalíssimo serviço de mesa que pertenceu ao Barão de Massambará, Marcelino de Avelar e Almeida, composto de 154 peças, cada uma com decoração própria ligada a temas da vida em ambientes de jardins palacianos e o tabuleiro de xadrez em madeira laqueada que pertenceu ao Imperador D. Pedro I, cujas peças em marfim natural têm características européias, enquanto as pintadas de vermelhas, orientais.
Legenda: porcelana "Companhia das Índias", século XVIII, China.
Legenda: tabuleiro de xadrez em madeira laqueada e marfim, século XIX, China.


Outras peças que merecem atenção são a ventarola de chifre rendilhado, mostrando uma figura do teatro de marionetes javanês; o panneau bordado em linhas de algodão e seda, representando Fênix - símbolos da imperatriz chinesa - a máscara de personagem feminina do teatro NOH (Japão feudal) - e o travesseiro-apoio em madeira laqueada e cetim, usado pela gueixa japonesa, cuja cabeleira elaborada não podia desmanchar-se ao dormir.
Entre os objetos religiosos, uma escultura do Buda Amida, imerso em profunda meditação.
Legenda: Escultura em laca marron-escura recoberta de ouro, de origem japonesa (século XIX).


A Sedução do Oriente
Ainda durante o período colonial, e até meados do século XX, foi grande o fascínio que as civilizações asiáticas exerceram no Brasil, refletindo uma tendência que já existia na Europa. A filosofia, as artes, as religiões, enfim, toda a vasta e milenar cultura oriental sempre foi motivo de curiosidade e de especulação, em que pesem as diferenças abissais entre o Ocidente moderno e o Oriente tradicional – o que, aliás, parece confirmar o que expressa a filosofia chinesa: os opostos não são antagônicos, mas se complementam na realização do Todo, na unidade de ajuste das partes.
Seja o gosto pelo inusitado e pelo surpreendente, que está na origem da curiosidade humana, seja pela inegável beleza das peças orientais, o fato é que a elite brasileira se mostrou verdadeiramente deslumbrada pela expressão oriental. E não só pelo que procedia diretamente daqueles países longínquos, mas também pelos móveis e outros artigos oriundos da Europa, e que se enquadravam na filiação artística denominada chinoiserie - interpretação ocidental dos estilos chineses trazidos pelos viajantes europeus.
Se, por um lado, deu-se, a partir do século XIX, uma relativa ocidentalização do Oriente, com o ônus da invasão do consumo de massa, abriu-se, por outro lado, para o Ocidente, um maior aprofundamento da compreensão do pensamento oriental, o que influenciou tanto a conduta individual como a comunidade acadêmica voltar-se seriamente para os estudos orientais. No Brasil contemporâneo, esta influência ainda é comprovadamente significativa, sobretudo nos campos da gastronomia, da arquitetura e das artes plásticas.
O sentido cultural desta Exposição é, portanto, significativo: ela une as gerações passadas, que colecionaram as peças aqui expostas, às gerações presentes e futuras, que as estudarão com mais profundidade e admiração, e, sobretudo, ela aproxima povos tão distantes, através da sensibilidade da Arte.
Jorge Cordeiro - Curador da exposição
Legenda:Pendantif em ouro laqueado em forma de borboleta, em que se se incrustam peque as medalhas em jade "feicui", incisas com desenhos de lótus e em esmalte de Pequim. China, século XIX.