Exposição Centenário de Tancredo Neves

PROGRAMAÇÃO 2010

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Exposição Centenário de Tancredo Neves





Com o patrocínio do Oi Futuro, através do incentivo da Lei Rouanet, o Museu Histórico Nacional abriga, de 20 de abril a 6 de junho de 2010, exposição comemorativa ao centenário de nascimento de Tancredo Neves, promovida pelo Memorial Tancredo Neves. O lançamento de livros sobre Tancredo Neves e a abertura de um portal de internet com informações e documentos sobre o ilustre político brasileiro integram as comemorações do centenário.
Nascido a 4 de março de 1910 em São João Del Rei, Tancredo Neves exerceu uma brilhante carreira política, sendo eleito e reeleito muitas vezes como deputado estadual e federal. No Governo Vargas foi Ministro da Justiça e Negócios Interiores e no final da década de 1950, Secretário de Finanças de Minas Gerais. Um dos mais importantes líderes do antigo MDB, do qual foi Senador, fundou, ainda, o Partido Popular. Em 1983, ingressou no PMDB e foi eleito Governador de Minas Gerais. Lutou pelas "Diretas Já" e com a derrota da emenda Dante de Oliveira, foi escolhido para representar uma coligação de partidos de oposição na Aliança Democrática. Com o senador José Sarney como vice, Tancredo Neves foi eleito Presidente do Brasil pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985. Na véspera da posse, no entanto, foi internado e faleceu no dia 21 de abril sem assumir o cargo.
A exposição Centenário de Tancredo Neves retoma a trajetória do político para recontar, em linguagem contemporânea, a história política do país que ele auxiliou a construir e viveu de perto ao longo de seu caminho, de vereador da Câmara Municipal de São João Del Rei pelo Partido Progressista até presidente da República.
A exposição reproduz fielmente o conteúdo do Memorial Tancredo Neves, estabelecido em São João Del Rei. O museu foi aberto em 1990, em um casarão do final do século XVIII, localizado no centro histórico da cidade mineira, e foi reinaugurado no dia 4 de março desse ano, com projeto do curador Marcello Dantas, diretor artístico do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.
"Tancredo Neves é o fundador da democracia contemporânea brasileira. Entender sua trajetória é entender como o Brasil construiu um caminho pacífico para a democracia e a estabilidade que usufruímos hoje. Sua memória é um dos pilares do nosso tempo. É fundamental trazer seu legado, usando uma linguagem atual, para os jovens de hoje - lembrando que foi pelo movimento jovem dos anos 1980 que ele foi erguido à presidência", diz Marcello Dantas.
Logo de início da exposição, os visitantes têm contato com os vínculos primordiais do então futuro presidente com sua terra: uma espiral de metal com antigas fotos de família, documentos, notícias e memórias revelam o contexto em que ele se formou. Também está presente a máquina de escrever que Tancredo usou durantes os anos da faculdade, quando escreveu para os jornais da época e seu anel de formatura no curso de Direito.



A seguir, o espaço "O Caminho" resume sua trajetória política, contemplando os principais cargos que ocupou e uma cronologia que situa os passos de Tancredo ao longo da história do país. Além de momentos importantes de sua biografia, expressos em imagens e recostes de jornais, uma bancada abriga documentos de diferentes etapas de sua carreira e um oratório reúne as cartas trocadas entre Tancredo Neves e o ex-presidente Juscelino Kubitschek. A correspondência, disponível para leitura do público, é em grande parte inédita; f oi garimpada nos acervos das famílias dos dois políticos e testemunha o respeito recíproco e a amizade entre eles.
Já o espaço "Habilidade Política" explora a característica de dialogador de Tancredo e sua capacidade de construir consensos; uma instalação de aço polido com olhos mágicos em formato de fechaduras, que permitem uma pequena espionagem na parte detrás das portas fechadas do poder. Cria uma espécie de terceira margem do rio entre os enrijecimentos do Brasil de esquerda e de direita. Imagens das "Diretas Já" e da eleição de Tancredo, em vídeo de Sílvio Tendler, trazem a redemocratização para dentro do Museu. Elas finalizam um percurso de sombras e luzes em um corredor de espelhos com vitrines embutidas, onde objetos que marcaram o nascimento da nossa jovem democracia se revelam com o passar do visitante. Nelas flâmulas, jornais, fotos, camisetas e objetos convivem com a criação de um campo fértil para a transformação política que ocorria e que culminou no momento máximo da afirmação juvenil do Brasil com sua eleição para presidente no dia de pleno Rock in Rio.
Um dos espaços é reservado a uma instalação que revela a surpresa, agonia e dor coletiva que marcaram o dia antes da posse, sua internação e morte. Projeções mostram a comoção popular, a cobertura televisiva e a tempestuosidade de se fazer uma transição política sem o líder legitimamente eleito. Colunas de pessoas cercadas por imagens de milhões de brasileiros atônitos diante das notícias dão o tom da sala.
No espaço "Post Scriptum" reúnem-se a carta do Papa, as manchetes dos jornais com a notícia da morte de Tancredo e depoimentos como de Ferreira Gullar e outros intelectuais após a tragédia.
Em "Lavra de Ideias", temos a máscara mortuária de Tancredo protegida por uma piscina de água que reflete suas palavras e pensamentos projetados pelas paredes da sala. São como uma nuvem de ideias e sabedorias que fizeram com que valores fundamentais fossem lembrados e defendidos durante sua longa trajetória pública.