Exposição "Brasil e a transformação da paisagem"

PROGRAMAÇÃO 2011

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Exposição "Brasil e a transformação da paisagem"


Foto: Cheia do Rio Solimões. Comunidade Matrixã, Codajás, AM, 2004.



Foto: Seca do Rio Solimões. Lago de Coari, Comunidade Santa Luzia do Buiçuzinho, Coari, AM, 2004.

Impressas em grandes formatos, as imagens captadas por José Caldas - fotógrafo de natureza com 20 anos de estrada e livros publicados sobre o rio São Francisco, Mata Atlântica, Serra do Cipó, Serra da Mantiqueira, entre outros - estarão expostas no Museu Histórico Nacional, na Casa do Trem, a partir do dia 20 de maio, revelando um Brasil de paisagens múltiplas e em transformação continua, seja pela degradação do garimpo em Rondônia ou pelo ciclo natural das águas no rio Solimões. Trata-se da exposição "Brasil e a transformação da paisagem", em cartaz até o dia 26 de junho, que nos faz lembrar que a realidade sempre se transforma. Inauguração no dia 19 de maio, às 18h30m.
Com curadoria de Ângela Magalhães e Nadja Peregrino, a exposição "Brasil e a transformação da paisagem", que integra a FOTORIO 2011, traz ao público do Rio de Janeiro um recorte de 52 imagens da obra do fotógrafo sergipano José Caldas, reconhecido como um dos mais importantes documentaristas da natureza brasileira em atividade, autor de onze livros sobre temas ambientais e culturais nacionais e presidente da AFnatura - Associação Brasileira de Fotografia de Natureza.



Foto: Vila da felicidade. Manaus. AM, 2003

Viajar pelo interior do Brasil pode proporcionar experiências das mais variadas e revelar cenários e situações surpreendentes. Nas fotos expostas - muitas delas em grandes formatos, de até 2,7 metros de largura -, esse sentimento salta das paredes, somando-se a ele uma viagem no tempo, que reflete as transformações ocorridas em um período intenso e recente da história do País, equivalente aos 20 anos de formação do acervo de José Caldas.
O Brasil teve um percurso histórico muito predatório de seus recursos naturais, o que se intensificou nesse período. A capacidade produtiva do país e sua realidade demográfica tornaram esse processo mais extensivo, com potencial ascendente. Ao mesmo tempo, a consciência ambiental ganhou força e se disseminou globalmente e no país, e com ela a postura crítica à utilização displicente das reservas naturais do País e às agressões à natureza.
A forma que Caldas encontrou para se posicionar diante desse dilema histórico foi colecionando imagens, tecendo com isso o mapa iconográfico de um Brasil particular. Seus registros focam a natureza e a presença humana no território, no que ele próprio prefere denominar "documentação geográfica". Retratos do que está em vias de extinção, do que é novo, do que merece ser preservado. Do que é emblemático de cada contexto ou simplesmente de cenas expressivas que se apresentam à sua frente, sem explicação. Suas fotos são documentos que se agregam ao patrimônio de imagens da nação, não só pelo que documentam, mas por expressarem a visão do artista.



Foto: Serra da Canastra vista da Serra da Babilônia. Delfinópolis, MG, 1998.

Ao alcançar a retina dos espectadores, as fotos de José Caldas são impregnadas de seus sentimentos, por sua edição do mundo: o mapa do país que surge entre folhagens, a luz da lua redesenhando as reentrâncias das montanhas mineiras, a metrópole que se dissolve no horizonte, a paisagem carioca, talvez a mais clássica do imaginário brasileiro, dando espaço a prédios e favelas sob a primeira luz do dia, o cágado em close-up, e ao mesmo tempo, perdido na imensidão da estrada que escolheu para tomar sol...
"José Caldas não se detém num formalismo vazio e anacrônico. Ao contrário, o conteúdo estético alinha-se a uma preocupação ecológica e política conectada com suas próprias indagações existenciais. Não à toa, é um trabalho in progress que vem sendo realizado por mais de duas décadas, sem sinais visíveis de que tenha esgotado o interesse pelo assunto", colocam as curadoras sobre o artista, no texto de apresentação.
O recorte proposto para a exposição, que já esteve em São Paulo e Brasília, sugere uma reflexão sobre as transformações da paisagem brasileira, geradas pelo homem e pela própria natureza, em sentidos, ritmos e ciclos variados, em movimentos mínimos e em outros definitivos, e até pelo ato fotográfico em si. Pois de uma forma ou de outra, a realidade sempre se transforma.
A exposição "Brasil e a transformação da paisagem" é uma oportunidade de oferecer ao público esses fragmentos da realidade brasileira, eleitos sob o olhar artístico e observador do fotógrafo, e enriquecer com isso a visão dos espectadores sobre a identidade e a diversidade brasileiras. Oportunidade ainda de premiar o esforço incansável de José Caldas de se enfurnar nos sertões do Brasil para extrair dali sua essência.





FICHA TÉCNICA
Artista: José Caldas
Curadoria: Angela Magalhães e Nadja Peregrino
Realização: Editora Olhares
Coordenação: Otávio Nazareth
Projeto expográfico e direção de arte: Daniel Brito
Produção: Rúbia Piancastelli
Ampliações fotográficas: Labtec
Molduras: Capricho

JOSÉ CALDAS
Fotógrafo especializado em natureza e documentação geográfica, desde 1989 viaja intensamente pelo Brasil. Tem publicados nove livros sobre diversas regiões e participou de mais seis com outros fotógrafos. Tem seus trabalhos publicados nas principais revistas e jornais brasileiros e fotos distribuídas internacionalmente. Participou de várias exposições nacionais e internacionais com temas ligados ao meio ambiente e cultura popular, com destaque para a recente individual A Presença, na Galeria do Ateliê da Imagem no Rio de Janeiro. Presidente da AFnatura, Associação Brasileira de Fotografia de Natureza.

Livros publicados
O Baixo São Francisco. Editora Ddesenho, 1994.
Parque Nacional da Serra da Canastra. Paper Mill Editora, 1998.
Mata Atlântica - Coração Verde do Brasil, Paper Mill Editora, 2001.
Oparapitinga - Rio São Francisco. Editora Casa da Palavra, 2002.
Serra da Mantiqueira. Zonainternet Editora, 2003.
Serra do Cipó. Doiis Editora, 2006.
Serra dos Órgãos. Doiis Editora, 2007.
40 Peixes do Brasil. Doiis Editora, 2007.
Japoneses no Vale do Aço. Editora Olhares, 2008.
Retratos do Brasil profundo. Editora Olhares, 2010.
Minas; estado de espírito. Editora Olhares, 2010.

Outros títulos em que teve participação significativa
Enciclopédia da Brasilidade; autoestima em verde e amarelo. Editora Casa da Palavra, 2005;
Ilha do Bananal: encontro de ecossistemas e culturas. DBA, 2004.
Artesanato no Brasil. Editora Reflexo, 1999;
O Lugar Onde a Terra Descansa. Eco Rio Editora, 2000;
O Rio São Francisco. Prêmio Editora, 1998;
Brasil Retratos Poéticos. Escrituras Editora, 1996 (atualmente na 5ª edição).

Prêmios
Golden Medal na categoria Best Scenic Photography no concurso mundial da
Calendar Marketing Association (USA), pelas fotos do calendário O Eterno Rio, 2002.
Milks International 2000, sob júri do consagrado fotógrafo Eliot Erwit.
Marc Ferrez - IBAC / Funarte, pela documentação fotográfica do Baixo São Francisco, 1992.

Exposições relevantes
AmazoniaBrasil (Paris, Nova York e Tókio);
Ilha do Bananal: o encontro de ecossistemas e culturas (São Paulo, Washington, Brasília, Porto Alegre e Palmas, Milão e Bueno Aires);
Artesanato do Brasil (Brasília);
África-Brasil-África: Olhares Cruzados (Guiné-Bissau, Moçambique);
Prêmio Conrado Wessel 2007 (Brasília)
Rio Cartão-postal (Rio de Janeiro);
Pelo Rio Solimões (Manaus, Coari, Rio de Janeiro, São Paulo)
13ª Exposição de Arte Fotográfica da AFBNDES (Rio de Janeiro)
A Presença, individual na Galeria do Ateliê da Imagem em 2009 (Rio de Janeiro).

CURADORIA: ANGELA MAGALHÃES E NADJA PEREGRINO
Angela Magalhães é formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1980). Foi bolsista da Fulbright / Capes junto ao International Center of Photography e à Aperture Foundation, em Nova York (1988/89). De 1990 a 2003, dirigiu o Núcleo de Fotografia da Funarte, promovendo inúmeras mostras fotográficas, projetos de pesquisa (Bolsa Marc Ferrez), edição de livros (Coleção Luz e Reflexão) e o Prêmio Nacional de Fotografia (1995-98). Como conferencista, participou do Encontro de Curadores da II Bienal de Fotografia de Rotterdam / Holanda (1990), do V Colóquio Latinoamericano de Fotografia, cidade do México (1996) e do Encontro sobre Religiosidade Popular, na University of Oxford, Inglaterra, 2002. Junto com Nadja Peregrino lançou o livro Fotografia no
Brasil: Um olhar das origens ao contemporâneo, Funarte/MinC, 2004.

Nadja Peregrino é mestra em Comunicação (ECO/UFRJ-1990) e professora das Universidades Estácio de Sá e Cândido Mendes (RJ). Atuou como curadora e pesquisadora do Instituto Nacional de Fotografia da Funarte (1979-1990/RJ) e do Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (1990-1998/Niterói. Entre suas conferências destacam-se as realizadas no V Colóquio Latinoamericano de Fotografia, México(1996), na Feira Internacional do Livro, Genebra/Suíça (2002), no Museu Nicéphore Niépce, França (2006) e no Fórum Latino Americano em São Paulo (2007). Na área de pesquisa, acumula prêmios tais como a Bolsa Rio Arte/98 e a da Fundação Vitae Brasil (2004). Publicou diversos artigos em revistas nacionais e estrangeiras, a exemplo do Dicionário Oxford Companion to the Photograph, Inglaterra/2005 e Barnabás Bosshart, Brasilienbilder, 1980-2005 (Suíça, 2007), além dos livros O Cruzeiro - A revolução da fotorreportagem (Editora Dazibao,1991), Fotografia no Brasil, um olhar das origens ao contemporâneo (Funarte/MinC, 2004) e o recém lançado Mato Grosso, território de imagens (Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso, 2008), estes dois últimos em co-autoria com Angela Magalhães.