Exposição: "A Arte do Marfim"

PROGRAMAÇÃO 2000

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Imagens retiradas do Livro "Arte do Marfim" do sagrado e da história na Coleção Souza Lima.
Centro Cultural Banco do Brasil - Museu, 1993.
Fotos: Paulo Scheuenstuhl



Entre as prioridades do Museu Histórico Nacional encontra-se a montagem, em caráter permanente, da exposição "A Arte do Marfim", permitindo ao público ver a preciosa coleção de 572 esculturas religiosas em marfim pertencente ao seu acervo.


Pela quantidade de peças, qualidade artística das mesmas e excelente estado de conservação, esta é uma coleção única no gênero, desconhecendo-se a existência de similar em qualquer outro grande museu do mundo.


As peças foram reunidas entre 1919 e 1930 em vários estados brasileiros por José Luiz de Souza Lima que, em 1930, penhorou a coleção à Caixa Econômica Federal, sem nunca tê-la resgatado.


Conhecedor do valor da coleção, o então diretor do Museu, Gustavo Barroso, inicia incansáveis esforços para incorporá-la ao acervo do Museu Histórico Nacional. Finalmente, em 1940, o Presidente Getúlio Vargas, em decisão histórica e mediante a abertura de crédito especial, autoriza o pagamento à CEF, doando a seguir a coleção ao Museu.

Embora indexada, estudada e exposta em períodos anteriores, somente no final da década de 80 a coleção foi totalmente pesquisada, num criterioso trabalho da técnica Lucila Morais Santos.


Ela deu à coleção uma leitura inovadora, que abordou, entre outras questões, a utilização destas esculturas como instrumentos de catequese e a sociologia das invocações, ou seja, um levantamento das preocupações básicas da sociedade cristã, inventariando-se os cultos dominantes em determinados períodos e lugares.

Resultado desta extensa pesquisa foi a realização, em 1993, em conjunto com o Centro Cultural do Banco do Brasil, da exposição "Do Sagrado e da Arte do Marfim".


A repercussão do evento atravessou os limites da cidade e do país. Em visita ao Rio, David Rockefeller, Honory Chairman da Americas Society - instituição sem fins lucrativos destinada a divulgar nos Estados Unidos a cultura dos povos que integram as três Américas - encantou-se com a coleção de marfins, que acabou sendo exposta na sede da Americas Society, em Nova York, em 1996 com grande sucesso de público.

Em 1998, os portugueses tiveram a oportunidade de conhecer a coleção, exposta no belíssimo prédio da Alfândega da cidade do Porto, totalmente restaurado, numa promoção da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Agora será a vez dos brasileiros de conhecer este importante acervo.