
O público norte-americano teve a oportunidade de conhecer, até 5 de maio de 1996, no elegante endereço da Park Avenue, 680, parte da coleção de 572 esculturas religiosas em marfim, de origem indo-portuguesa, pertencente ao acervo do Museu Histórico Nacional.
Pela quantidade de peças, qualidade artística das mesmas e excelente estado de conservação, esta é uma coleção única no gênero, desconhecendo-se a existência de similar em qualquer outro grande museu do mundo.
As peças foram reunidas entre 1919 e 1930 em vários estados brasileiros por José Luiz de Souza Lima, que, em 1930, penhorou a coleção à Caixa Econômica Federal, sem nunca tê-la resgatado. Conhecedor do valor da coleção, o então diretor do Museu, Gustavo Barroso inicia incansáveis esforços para incorporá-la ao acervo do Museu Histórico Nacional. Finalmente, em 1940, o Presidente Getúlio Vargas, em decisão histórica e mediante a abertura de crédito especial autoriza o pagamento à CEF, doando a coleção ao Museu.
Embora indexada, estudada e exposta em períodos anteriores, somente ao final da década de 80 a coleção foi totalmente pesquisada, num criterioso trabalho da técnica Lucila Morais Santos, dando à coleção uma leitura inovadora, que abordou, entre outras questões, a utilização destas esculturas como instrumentos de catequese e a sociologia das invocações, ou seja, um levantamento das preocupações básicas da sociedade cristã, inventariando-se os cultos dominantes em determinados tempos e lugares.
Resultado desta extensa pesquisa foi a realização, em outubro de 1993, em conjunto com o Centro Cultural Banco do Brasil, da exposição Do Sagrado e da Arte do Marfim. A repercussão do evento atravessou os limites da cidade e do país. Em visita ao Rio, David Rockefeller, Honory Chairman da Americas Society - instituição sem fins lucrativos destinada a divulgar nos Estados Unidos a cultura dos povos que integram as três Américas - encantou-se com a coleção de marfins, iniciando os esforços para levá-la a Nova York.
A realização da exposição "The Art Of Ivory", na sede da Americas Society, só foi viabilizada, no entanto, através do apoio efetivo do Ministério da Cultura do Brasil, Fundação Alexandre Gusmão, Brascan, Fink e Varig. Estará à disposição dos visitantes um catálogo bilingue, com textos de Lucila Morais Santos e fotos de Paulo Scheuenstuhl, que também ilustram esta página.
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