Exposição: "Moedas Portuguesas - 1383 a 1580"

PROGRAMAÇÃO 2000

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No âmbito das comemorações dos 500 anos de Brasil e numa promoção da Câmara Municipal de Santarém, com o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e Ministério da Cultura do Brasil, a exposição "Moedas Portuguesas da Época dos Descobrimentos na Coleção do Museu Histórico Nacional - 1383 - 1583 ", reabriu ao público, totalmente restaurada, a casa onde morou Pedro Álvares Cabral em Santarém, Portugal.

Há três anos participando ativamente do esforço de aproximação cultural entre os dois países, através da promoção do intercâmbio de exposições e da realização de seminários destinados ao debate e ao aprofundamento de nossas raízes comuns, o Museu Histórico Nacional apresenta à sociedade portuguesa até dia 22 de abril , em caráter inédito, 221 moedas pertencentes ao seu acervo, todas contemporâneas dos grandes descobrimentos portugueses e correspondentes à Dinastia de Avis, que governou Portugal entre 1383 a 1580.

Muitas das moedas em exposição são desconhecidas em Portugal, por se tratarem de peças únicas no mundo, como, por exemplo, o "índio", lavrada em 1499 por D. Manuel I, provavelmente em comemoração ao descobrimento do caminho marítimo par a Índia. Destinada a circular nos mercados orientais, o "índio" não foi bem aceito devido ao seu baixo peso, tendo sua emissão sido suspensa. Cunhado em boa prata com peso de 3,2 gramas, quase 30 milímetros de diâmetro e o valor de 33 reais brancos, o "índio" permaneceu desconhecido em Portugal até a metade do século XX. Outras moedas também são únicas, tais como o real de D. Sebastião, cunhado em Goa em 1562, e um ensaio de português de D. Henrique I.

A exposição ilustra, de maneira privilegiada, o processo de expansão marítima portuguesa, desde o seu primeiro momento - a conquista de Ceuta, em 1415 - cobrindo um período que vai do final da Idade Média ao início da Idade Moderna.

Contando, ainda, com o apoio da Axa Seguros, Banco Central do Brasil, Casa da Moeda do Brasil, Fundação Banco do Brasil e Odebrecht, a exposição está dividida em quatro núcleos segundo os reinados, simbolizando na apresentação gráfica a terra, a fauna e a flora dos trópicos recém descobertos, unidos ao velho continente pelas conquistadas águas dos oceanos.

No primeiro núcleo, intitulado "Primeiras Conquistas", estão apresentadas 22 moedas de D. João I e 18 de D. Duarte; no segundo núcleo "O Processo de Expansão", estão expostas 30 moedas de D. Afonso e 24 de D. João III; já o terceiro núcleo "Consolidação e Ampliação do Império", estão exibidas 24 moedas de D. Manuel, 30 moedas de D. João III e 15 moedas da Índia Portuguesa e no quarto núcleo "O Ocaso da Dinastia" são apresentadas 25 moedas de D. Sebastião, 6 moedas de D. Henrique e governadores, uma moeda de São Tomé, cinco moedas da Índia Portuguesa e 21 moedas de D. Antonio I..

As pesquisas realizadas pela numismata do Museu Rejane Maria Lobo Vieira, permitem conhecer e confirmar a existência na coleção do Museu Histórico Nacional de 850 moedas portuguesas da Dinastia de Avis, que refletem a verdadeira epopéia empreendida pelos portugueses e se constituem num raro conjunto que em muito contribuirá, a partir de sua divulgação através da exposição e do catálogo, para um melhor conhecimento da história monetária do período.

O motivo deste notável conjunto pertencer atualmente a um museu brasileiro deve-se ao legado feito em 1921 à Biblioteca Nacional, três anos depois transferido ao Museu Histórico Nacional, da coleção reunida pelo numismata português Antonio Pedro de Andrade. Nascido na Ilha da Madeira e radicado no Brasil em 1855, quando ainda muito jovem, o comendador Andrade foi gerente, diretor e depois presidente do Banco Comercial do Rio de Janeiro. Ao longo de sua carreira, reuniu os recursos necessários para adquirir nas principais capitais européias, sobretudo em Lisboa, Londres e Amsterdã, moedas portuguesas muito raras, inclusive peças inéditas da coleção formada anteriormente pelo grande estudioso Julius Meili. A coleção Andrade, famosa em Portugal, desde o final do século passado, já foi considerada como tendo sido "irremediavelmente perdida pela indiferença e desleixo .... em todo o vasto Brasil", mas mantém-se, até hoje , íntegra sob a guarda do Museu Histórico Nacional.

Esta coleção integra o acervo sob a guarda do Departamento de Numismática do Museu Histórico Nacional que reúne mais de 127 mil peças distribuídas em núcleos importantes, orgânicos, entre os quais se destacam os conjuntos de moedas e medalhas brasileiras, de moedas portuguesas desde a formação da nacionalidade, no século XII; da Antigüidade Clássica, da Cristandade Ocidental e das Idades Moderna e Contemporânea. Esta grande coleção, considerada como a mais significativa da América Latina, permite acompanhar a trajetória da moeda metálica desde o seu surgimento no século VII a . C. até os nossos dias.