
"Lisbonne aux mille couleurs",
Paolo Ferreira, 1937, MNA inv. 5928.
Foto: José Pessoa (ddf-ipm)

"Nossa Senhora com Meninno",
Jorge Barradas, meados do sec. XX,
Foto: Paulo Cintra e Laura Castro Caldas

"Estação de Metropolitano dos Anjos",
Maria Kail, Lisboa, 1965
Foto: Paulo Cintra e Laura Castro Caldas

"Revestimento interior da estação do Campo Grandes",
Eduardo Nary, Lisboa, 1987 - 1991
Foto: Paulo Cintra e Laura Castro Caldas

"Estação Cidade Universitária do Metropolitano",
Maria Helena Vieira da Silva, c. 1988,
Foto: Paulo Cintra e Laura Castro Caldas

"Oceanário, aspecto geral",
Ivan Chermanyeff, Parque das Nações, Lisboa, 1998
Foto: Homem à máquina

"Painel da Bica do Sapato",
junto à estação de santa Apolónia, Lisboa, 1999 - Bela Silva
Foto: Paulo Cintra e Laura Castro Caldas

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Promovida pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos
Portugueses, Museu dos Azulejos e Museu Histórico Nacional, a exposição,
evento oficial das comemorações dos 500 anos o Rio de Janeiro, apresenta
ao público brasileiro, em caráter inédito, painéis de azulejos
contemporâneos que adornam as edificações públicas em Portugal,
enfatizando um dos elementos que caracterizam a influência portuguesa na
arquitetura brasileira.
Através de 60 painéis cerâmicos e cerca de 40 fotografias, torna-se
presente o modo como a cerâmica participou nas construções dos ambientes e
das paisagens do século XX em Portugal. A longa tradição do uso do azulejo
naquele país e a originalidade do seu entendimento como expressão artística
maior daquela cultura fez permanecer esta arte ao longo do século XX,
mantendo vitalidade como veículo de atualização do gosto ao revelar novas
funções, da adesão generalizada e anônima do azulejo enquanto material de
revestimento de fachadas nas primeiras duas décadas do século às suas
novas potencialidades no milênio que se inicia.
A exposição está dividida em cinco módulos, abordando períodos históricos:
• 1901-1929 : A adesão mais generalizada ao azulejo enquanto material de
revestimento de fachadas, valorizando esteticamente a arquitetura e a
paisagem é, por decisão anônima, concretizada por azulejos de grande
produção industrial. Importantes artistas como Jorge Colaço, Rafael Bordalo
Pinheiro e Raul Lino criam novos estilos para os azulejos.
• 1930-1949: O azulejo é revisto nas suas potencialidades criativas a partir
de António Ferro, que revaloriza as tradições nacionais da matriz da
cultura portuguesa. Paulo Ferreira desenha para o Pavilhão de Portugal na
Exposição Internacional de Paris, em 1937, o painel "Lisbonne aux Mille
Couleurs" e numerosos artistas modernistas irão desenhar temas populares de
maior agrado do público. Já o artista Jorge Barradas será o grande
renovador da cerâmica artística portuguesa deste período, criando numerosas
composições de azulejos e dando início a uma notável geração de ceramistas.
• 1950 - 1974: Na euforia do pós-guerra, o azulejo desaparece da paisagem
urbana, arredado das escolhas populares. Serão os jovens arquitetos
eruditos que revalorizarão a cerâmica enquanto revestimento ao convidarem
jovens artistas plásticos para executarem projetos para as suas obras.
Surgem desenhadores de projetos para azulejo, como a pintora Maria Keil e o
arquiteto José Carlos Loureiro, além de Eduardo Nery e João Abel Manta.
Outros artistas plásticos, como os pintores Manuel Cargaleiro, Querubim
Lapa, Júlio Resende e Júlio Pomar, e as ceramistas Manuela Madureira e
Cecília de Souza, exploram, neste mesmo período, as expressividades
próprias do fazer cerâmico.
• 1975 - 1998: Durante este período o azulejo ganha visibilidade como
criação artística através das grandes encomendas públicas. Exemplo notório
é o do metrô de Lisboa, que desde 1959 usa o azulejo como revestimento de
suas estações, utilizando a criação de grandes artistas portugueses e
internacionais, como Zao-Wo-Ki, Undertwassen, Erró e Sean Scully. A grande
Exposição Universal de 1998, a EXPO 98, propiciou igualmente a intervenção
de jovens artistas plásticos através de projetos em azulejos de Pedro
Cabrita Reis, Pedro Casqueiro, Ilda David e Fernanda Fragateiro e do
monumental revestimento do Oceanário de Lisboa de Ivan Chermayef.
• 2000 : Após um século de sua criação, o azulejo parece ainda ser objeto
maior na cultura portuguesa, tendo sua continuidade garantida através do
trabalho de jovens arquitetos e artistas como Luís Camacho e Bela Silva.
A exposição "A Arte do Azulejo em Portugal no Século XX" poderá ser
visitada no Museu Histórico Nacional até o dia 9 de julho.
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