Devolução da "Casa do Trem" à cidade

PROGRAMAÇÃO 2000

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Interior


Interior




O núcleo inicial do conjunto arquitetônico que hoje abriga o Museu Histórico Nacional, a Casa do Trem, foi construído em 1762 pelo Governador e Capitão-Geral do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade - Conde de Bobadela - e destinava-se a guardar munições e outros materiais bélicos.
Sua denominação provém da expressão portuguesa "trem de artilharia", que compreende todo o material bélico - canhões , armas, peças de reposição e munição - destinados à defesa de uma cidade. Na Casa do Trem eram realizados os trabalhos de reparo e manutenção do armamento, bem como a armazenagem da munição disponível. Naquela época não eram fabricadas armas no Brasil, que, na sua condição de colônia, recebia todo o material bélico de Portugal.
Com o tempo, a Casa do Trem teve suas funções ampliadas, passando a contar com uma fundição, aumentando sua autonomia técnica, transformando-se mesmo num pequeno arsenal, denominado Arsenal do Trem.
Em suas fornalhas passaram a ser fundidas, além do material militar, importantes obras de arte, como as esculturas em bronze de Mestre Valentim, que até hoje podem ser apreciadas em praças e jardins da cidade do Rio de Janeiro.
Em 1811, o Conde de Linhares instalou a Real Academia Militar junto ao velho arsenal, o qual passou a denominar-se Arsenal Real do Exército, tendo, inclusive, abrigado o primeiro curso de ensino de engenharia no país.
Após a independência o conjunto de edificações foi consideravelmente ampliado, com a construção dos prédios hoje denominados "Arsenal" e "Quartel" ou "Anexo", este servindo como importante quartel.
Com a transferência do Arsenal do Exército para o bairro do Caju, no início do século XX, o conjuntopassou a ser ocupado por diversos órgãos da administração federal, ficando, posteriormente, para o Museu Histórico Nacional.
Com o passar dos anos a Casa do Trem veio a sofrer graves danos estruturais, que chegaram a comprometer até mesmo sua estabilidade.
Em 1987, com o apoio do Consulado Geral da República Federal da Alemanha no Rio de Janeiro, foram iniciadas as obras visando sua recuperação e integração ao circuito do Museu Histórico Nacional.
Em 1991, a Casa do Trem estava estruturalmente recuperada e a salvo do processo de ruína que a ameaçava. O telhado foi refeito com a substituição total das madeiras duramente atacadas por cupins e a colocação de telhas e calhas novas. A estrutura dos pisos dos diversos pavimentos foi reexecutada e reforçada, sendo toda a madeira substituída por vigas metálicas e lajes pré-moldadas. as instalações elétricas e hidro-sanitárias foram parcialmente substituídas.
As dificuldades enfrentadas pelo Ministério da Cultura naquele período, inclusive as sucessivas transformações pelas quais passou, fizeram com que a contra-partida brasileira aos recursos alemães não chegasse aos níveis estabelecidos nos convênios celebrados, o que provocou a interrupção do processo de cooperação internacional, paralisando as obras.
No entanto, a partir da gestão do Ministro Francisco Weffort, com recursos inicialmente do próprio Ministério da Cultura e posteriormente patrocínio do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, as obras foram retomadas e praticamente concluídas no primeiro semestre de 2.000.
Hoje a Casa do Trem dispõe de modernas instalações de segurança, inclusive caixas fortes para a guarda da coleção de numismática, de prevenção e combate a incêndios, além de elevador de última geração, já estando pronta a infra estrutura para ar condicionado.
Foram realizados, ainda, todos os acabamentos necessários para devolver à edificação toda a sua dignidade, garantindo, ainda, condições adequadas à atual museografia e ao conforto do visitante.
O Centro de Estudos de Numismática e sua coleção, inclusive a biblioteca, já foram transferidos para o local, onde o pesquisador já pode ser atendido, embora a inauguração oficial das obras de restauração esteja prevista para novembro de 2.000, com uma exposição sobre a história das cidades brasileiras e suas primeiras edificações, entre as quais encontra-se a própria Casa do Trem.
Está em planejamento atualmente a exposição permanente da coleção de numismática, cuja abertura ao público será em 2001, versando sobre a história do dinheiro no mundo e, particularmente, no Brasil e que contará com o apoio da Meyvaert, empresa belga especializada em vitrines de segurança máxima e tecnologia de ponta em conservação de acervos.