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Com o patrocínio da Petrobras Distribuidora e do Governo Federal, sob
incentivo da Lei Rouanet, coordenação da ArtePadilla e apoio da Clear
Channel, a exposição da artista plástica Ana Durães, reconhecida como
expoente de sua geração e uma das mais destacadas presenças na pintura
brasileira do presente, está em cartaz no Museu Histórico Nacional até 31
de março de 2002.
Mineira de Diamantina, Ana Durães é, hoje, uma artista em sua maturidade
existencial e criativa, mas que conserva a vivacidade e a energia da
primeira juventude durante a qual assumiu a árdua decisão de construir e
manter uma carreira de intensa dedicação e coerência.
Em "Santos Quase Todos" Ana mergulha, com liberdade e ousadia, em sua
atração por um tema denso como a religiosidade, mais ainda quando envolvido
pela explícita referência ao imaginário da fé católica ou à visão
retrospectiva da história da arte universal, de Tiziano e Rafael ao Barroco
das Minas Gerais. Suas obras são consolidadas através de uma sensível
competência na criação de estruturas cromáticas e suportes materiais
presentes desde os trabalhos mais antigos da artista.
Nesta exposição as imagens de santos, tão presentes no imaginário de todos
com estranha intimidade, normalmente ostentadas em altares, salas,
carteiras e retrovisores, são transpostas para uma espécie de universo
pop-barroco criado por Ana Durães. Aparecem impressas sobre pele, em 20
caixas com estrutura de madeira (cianótipo sobre pele), como que iluminadas
por pequenas velas, remetendo a oratórios esquecidos, a capelas
abandonadas, que percorremos com um certo temor.
Os santos surgem ainda em telas de 0,80x1m a 2x1,5m (técnica mista sobre
tela ou vinilona), mergulhados em fragmentos de ouro, em camadas de cores e
texturas, em que as raízes "diamantinas" de Ana Durães estão mais presentes
do que nunca. O barroco, imposto pelos portugueses a um Brasil inculto,
quase como uma forma de dominação, encontrou em nosso país um terreno
fértil. Transformado pela mão africana, ele continua presente, até hoje, em
todas as nossas manifestações populares. Assim como nestas telas de Ana
Durães, cheias de vida e de fé, num delírio colorido em que o moralismo
cristão segue aliado ao sincretismo profano.
A artista, que já expôs no Museu Nacional de Belas Artes, no Museu de Arte
Moderna, na Escola de Artes Visuais, no Museu da República, no Brazilian
American Cultural Institute em Washington e no Kunstlerhaus na Áustria.
"Santos Quase Todos" foi apresentada no Palácio das Artes/ BH e na
Embaixada do Brasil em Berlim, e apresenta no Museu Histórico Nacional uma
série de obras inéditas, resultado de uma pesquisa da artista feita no
acervo do próprio Museu. Após a temporada do Rio, segue para a Casa das
Rosas, em São Paulo e para o MAM da Bahia, em Salvador.
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