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De 29 de novembro a 9 de março de 2003, a exposição apresenta a
obra de Isabel Pavão, artista portuguesa, nascida na cidade do Porto em
1960. Formada em artes plásticas em Portugal, fez mestrado na mesma área na
França e doutorado em Nova York, onde atualmente reside e trabalha.
Participou de inúmeras exposições individuais e coletivas em sua terra
natal e no exterior - Macau, Estados Unidos, França, Alemanha e Espanha -
expondo agora pela primeira vez no Brasil.
Christine Buci-Glucksmann apresenta Isabel Pavão:
"Na origem de todas estas cartografias, a história de um olhar em que o
mapa das terras e dos mares, o dos primeiros portulanos portugueses ou dos
atlas do século XVI, o de um Dürer ou de um Vermeer, se torna o modelo de
uma nova visão do mundo. Um olho Icariano aberto sobre o infinito, em que a
pintura encontra a sua alegoria e a ciência a sua mestria das projeções e
trajetos. Porque o mapa é realmente um artefato complexo, em que a letra e
a imagem, a quadrícula dos territórios e os trajetos em direção ao
desconhecido dialogam sem cessar. Dele se pode dizer que é o território,
como queria o Imperador de Borges com seu mapa à escala do território. Mas,
no papel, ele nada tem de real, e pode igualmente evocar-se o mapa vazio de
Lewis Caroll. Entre o ser e não-ser, entre plano fixo e plano de projeção,
entre saber e poder, o mapa faz sonhar, tal como as ilhas ou os territórios
desconhecidos. Do mesmo modo, ele não deixou de ser poder de arte .... 'o
olho cartográfico da arte' não cessou de suscitar adeptos ..."
"Trabalhando a partir dos mapas, Isabel Pavão re-encena essa
arte-cartografia dos anos 60, deslocando-a no sentido dum objeto
essencialmente pictórico e ficcional ..."
"Um lugar que se desloca, em que o 'Tejo é um Atlântico incomensurável, e a
margem oposta um outro continente, isto é, um outro universo'. Tal me
parece ser o mundo pictórico de Isabel Pavão: cede território, é
des-territorializado, as viagens são os próprios viajantes, e os 'outros'
continentes vêm até nós, nas imensas derivadas coloridas dos fundos
terrestres e marítimos. Entre Ocidente e Oriente, Europa, África e Ásia,
Ícaro tornou-se o sujeito, a alegoria e a matriz da pintora, a sua
Icartografia." |