"Memórias Compartilhadas: o retrato na coleção do MHN"

PROGRAMAÇÃO 2003

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Auto retrato de Rodolfo de Amoedo
Foto: Paulo Scheuenstuhl


Retrato da Princesa Isabel
Rovello
final do século XIX
Foto: Rômulo Fialdini
Livro MHN, Banco Safra


Retrato de André Pinto Rebouças
Rodolfo Bernadelli (1852-1931)
Século XIX
Foto: Rômulo Fialdini
Livro MHN, Banco Safra


Retrato de Francisco Gomes da Silva, o "Chalaça"
Simplício Rodrigues de Sá (c.1800-1839)
Século XIX
Foto: Rômulo Fialdini
Livro MHN, Banco Safra


Biscuit
Século XIX, França
Com o retrato de D. Pedro V, Rei de Portugal, filho de D. Maria II e D.
Fernando
Foto: Rômulo Fialdini
Livro MHN, Banco Safra


Máscara mortuária de Napoleão Bonaparte
François Antommarchi
gesso, 1833
Foto: Rômulo Fialdini
Livro MHN, Banco Safra



Dos barões de café do século XIX ao pequeno comerciante do século XX, das áreas rurais aos espaços urbanos de norte a sul do país, qual a família que não pendurou o retrato de seus ancestrais na sala de visitas ou não possui atualmente seu álbum de fotografias?
De 29 de agosto a fevereiro de 2004, está em cartaz no Museu Histórico Nacional a exposição "Memórias compartilhadas: o retrato na coleção do Museu Histórico Nacional", reunindo 184 significativos retratos do acervo do MHN, entre os quais pinturas, esculturas, relevos, medalhas, porcelanas e miniaturas, que desde a década de 1960 não eram expostos ao público.
O olhar sobre essa valiosa coleção de retratos possibilitará ao visitantes acompanhar a trajetória da sociedade moderna, através de obras primorosas e exemplares curiosos, como uma garrafa no formato do busto do Imperador D. Pedro II, uma mesa com retratos do rei francês Luís XVI e damas da corte em esmalte sobre porcelana, uma xícara com o retrato de Vieira da Silva, além de pratos com a estampa de políticos como Rui Barbosa, Winston Churchill e Carlos Lacerda e leques comemorativos com o retrato de D. Pedro I.
O retrato, substituído posteriormente pela fotografia, faz parte da trajetória da família brasileira, integra o imaginário social brasileiro. Através do perfil dos retratados, revelam-se os costumes e os valores que regiam a arte e a sociedade à época de sua produção. No Brasil, a tradição do retrato remonta ao século XVIII, com a prática de sua encomenda para as Irmandades. Posteriormente, difundiu-se entre os barões do Império o gosto por pendurar seus retratos nas residências e, a partir de 1850, acelerou-se a disseminação dos álbuns fotográficos.
Para Ecyla Castanheira Brandão, especialista em artes plásticas, "a evolução da arte do retrato acompanha de uma maneira especial a evolução das formas sociais, traduzindo a situação do homem, escolhendo-o e valorizando-o exteriormente ou pela sua interioridade psicológica. No retrato, o artista manifesta seu ponto de vista diante de uma realidade que menos que qualquer outra se presta à evasão - a fisionomia humana. Nela o artista traduz sua visão não somente diante de si próprio e do motivo, mas diante dos outros, na revelação dos valores humanos característicos e psicológicos. O retrato é portanto o gênero artístico que melhor define as relações entre o artista e a sociedade"
A exposição "Memórias compartilhadas: o retrato na coleção do Museu Histórico Nacional" está dividida em sete núcleos. O primeiro núcleo apresenta o auto-retrato de Rodolfo de Amoedo - um dos maiores pintores acadêmicos do século XIX, tendo produzido extensa obra de retratos oficiais e de famílias - em trajes de artista, numa referência a todos os aqueles que documentaram indivíduos, prolongando sua existência além da morte, garantindo a futura memória e a possibilidade de ingressar na história.
No segundo núcleo - 'Um homem e o Tempo" - o público terá a oportunidade de ver seis retratos do Imperador D. Pedro II, de jovem a idoso. Ao encomendar um retrato de si mesmo ou de sua família, a elite brasileira do século XIX produzia um mito de si mesma, narrava sua própria história. O culto da personalidade está presente na galeria de retratos, característica do século XIX, responsável pela sistematização e ordenação de informações, além de perpetuar os governantes, os fundadores e benfeitores das instituições públicas.
O terceiro núcleo - "Um olhar feminino" - é dedicado aos retratos femininos de imperatrizes, princesas e nobres e o quarto - "Na terceira dimensão" - às esculturas, entre as quais de músicos como Carlos Gomes, de políticos e da família real.
Já no quinto núcleo - "Álbum de família" - são apresentados retratos individuais e coletivos. Os retratos de mulheres, crianças e família, são praticamente inexistentes no Brasil até 1850, a exceção da Rainha Maria I, de Portugal, e personalidades religiosas. No período colonial, o homem era retratado sozinho, representando a família patriarcal: mulheres e crianças submissas ao poder autoritário do pai. A partir da vinda da família real e da formação das famílias burguesas, cujos recursos provinham do comércio e atividades como a cafeicultura, as crianças e mulheres passam a ser objeto de exibição.
Os retratos masculinos trazem atributos de força e virilidade, bastão de comando, espadas, cruzes e penas, enquanto as mulheres geralmente são retratadas de forma infantilizada, apresentando feições delicadas e poses harmoniosas.
No sexto núcleo, estão reunidos os "personagens e personalidades" da história do Brasil.
O sétimo núcleo - "o último retrato" - apresenta as máscaras mortuárias de Napoleão Bonaparte, Getúlio Vargas, Miguel Calmon, Padre José Maurício, Dante Alighieri, Bartolomeu de Gusmão, Louis Moreau Gottschalk e Santos Dumont, além de retratos de sepulturas.