
Tinteiros e tinteiros escrivaninhas.
Prata, marfim e porcelana. Século XIX.
Foto: Rômulo Fialdini - Livro MHN - Banco Safra
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Equipamento de comunicação escrita.
Séculos XIX e XX.
Foto: Rômulo Fialdini - Livro MHN - Banco Safra
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Sinetes pingentes e anel sigilares 300
Séculos XIX e XX.
Foto: Rômulo Fialdini - Livro MHN - Banco Safra
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Em cartaz no Museu Histórico Nacional de 17 de outubro de 2003 a 02 de maio de 2004, a exposição "A comunicação escrita no encontro dos séculos XIX e XX", reunindo diversos instrumentos utilizados para a escrita num período que compreende de 1880 a 1921, pertencentes ao acervo do Museu.
As peças são muito interessantes, destacando-se um pneumático de 1910, com a primeira mensagem enviada no Brasil. O sistema de envio de mensagens via pneumático é o precursor do sistema de fax. Destaque, ainda, as belíssimas portas em madeira do tradicional Jornal do Commercio, datadas de 1908 e assinadas por Auler Co. , e o caderno de caligrafia de D. Pedro II quando menino, onde ainda pode-se ler um exercício feito pelo Imperador em 1835: "pior do que ser feio, é ser tolo".
Nessa exposição, o público poderá observar, ainda, tinteiros, penas, canetas-tinteiro com estojo, lapiseiras, porta-cartões, sinetes e espátulas nos mais diversos materiais - prata, ouro, biscuit, marfim, esmalte, madrepérola, galalite, rubi e bronze. Entre essas peças, algumas pertenceram a Manuel Gomes Moreira, ao Visconde do Rio Vermelho e aos Barões de Cotegipe e de Santo Ângelo, além do Presidente Epitácio Pessoa e do maestro Francisco Braga, autor do Hino à Bandeira. Esses objetos são representativos de um certo padrão civilizatório ostentados pelas elites, notadamente no final do século XIX e início do XX, como símbolos distintivos de erudição e bom gosto. As canetas e os selos sigilográficos detinham ainda a função de selar acordos políticos e marcar grandes acontecimentos.
Outra peças interessantes são o areeiro, um pó secante para a tinta de pena, precursor do mata borrão, e a máquina de escrever alemã da marca Adler, que pertenceu ao pai do Presidente Ernesto Geisel. Um núcleo de esculturas e caricaturas homenageia os escritores, tais como Luís de Camões, Eça de Queiroz, Balzac, Gonçalves Dias, Azevedo Cruz e Rui Barbosa, e duas ambientações representam a Escola (carteiras usadas pelas crianças na década de 1940) e os gabinetes do século XIX (com a papeleira que pertenceu à Princesa Isabel, toda trabalhada em placas de cerâmica esmaltada).
Do manuscrito ao livro impresso, a escrita é uma das mais significativas formas de comunicação da Humanidade. Desde os primórdios da história, o homem busca o suporte ideal - a pedra, o bronze, as placas de argila, o couro, o papiro, o palimpsesto, a tábua de madeira polida e encerada e, finalmente, o papel como hoje conhecemos - para registrar e transmitir suas idéias através da escrita. Ao longo dos séculos, as técnicas para a disseminação da escrita também foram se aperfeiçoando, tendo sido fundamental para a formação de novos escritores e leitores a invenção da imprensa por Gutenberg.
Estimulada pelos Estados modernos, é visível no século XIX a força e o poder da comunicação escrita. A caligrafia, o belo cursivo, as letras bem desenhadas ganham o prestígio de um verdadeiro talento e de uma apreciada aptidão; cada vez mais livros são editados e jornais têm maiores tiragens. Escritores e jornalistas têm suas atividades reconhecidas pela sociedade. Formam-se as Academias de Letras, bibliotecas, círculos de leitores ...
Entre o século XIX e as primeiras décadas do século XX, surgem a máquina de escrever, a caneta-tinteiro, a máquina de impressão rotativa e os mais diversos tipos de papel.
Ao iniciarmos um novo milênio, no qual alardeia-se uma revolução eletrônica da comunicação a partir da Internet, a exposição "A comunicação escrita no encontro dos séculos XIX e XX" proporciona ao público elementos para a reflexão sobre a comunicação humana.
Dos românticos cartões postais aos animados e-mails, dos cadernos de caligrafia aos livros impressos, das correspondências ao fax, das penas e canetas-tinteiros às máquinas de datilografia e computadores, como já dizia Pôncio Pilatos, "o que escrevi, escrevi".
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