Exposição: "A Presença Holandesa no Brasil: Memória e Imaginário"

PROGRAMAÇÃO 2004

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Batalha dos Guararapes. Óleo sobre tela, 1758.



Batalha dos Guararapes.



Batalha dos Guararapes.



Batalha dos Guararapes.



"Estrada para os Guararapes ... Em Pernambuco



As moedas ditas obsidionais holandesas ...


ilustração de Maurício de Nassau

Fotos (Rômulo Fialdini) e legendas extraídas da obra "Museu Histórico Nacional", editada pelo Banco Safra.



Em alusão aos 350 anos da reconquista de Pernambuco por Portugal e aos 400 anos do nascimento do Conde João Maurício de Nassau-Siegen, governador do Brasil Holandês durante 1637 e 1644, o Museu Histórico Nacional promove, de 5 de outubro a dezembro de 2005, a exposição "A Presença holandesa no Brasil: Memória e Imaginário".
Embora a ocupação holandesa no Brasil seja considerada de curta duração (apenas 24 anos), é significativo o seu legado à nossa memória social, representado em inúmeros documentos, medalhas e moedas, além da influência na arquitetura e nas artes plásticas.
A presença holandesa também gerou uma série de mitos que acabaram enraizados no imaginário brasileiro e que ao lado dos vestígios materiais são, sem dúvida, fontes de interesse para melhor entender a construção da identidade brasileira.
Na exposição podem ser vistos objetos e imagens referentes aos três períodos da presença holandesa no nordeste: invasão, permanência e expulsão. Os destaques são as moedas obsidionais, cunhadas no Brasil durante o cerco aos holandeses, no Recife, da coleção de numismática do Museu Histórico Nacional e as obras do acervo do IHGB, assinadas por Niels Aagar Lützen. São pequenas cópias de pinturas de Albert Eckhout, mandadas fazer por D. Pedro II quando de sua estada na Dinamarca. Quadro votivo “Batalha Dos Guararapes”
De autor desconhecido a peça votiva, registra um pedido relacionado à origem da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres do Monte dos Guararapes, em Recife. Embora tenha sido pintado em 1758, mais de cem anos após o acontecimento, o pedido teria sido formulado durante uma das maiores batalhas ocorridas na época colonial, que significou a perda pelos holandeses do controle do território pernambucano fora de Recife. Na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, situada no centro histórico de Recife, há uma pintura votiva neste mesmo estilo formando o painel do forro do coro. Moedas “obsiodionais” holandesas
As remessas de florins, soldos e xelins provenientes da Holanda não eram suficientes para atender as necessidades da administração holandesa no Brasil. Para suprir a falta de recursos, o Conselho utilizou o ouro vindo da Guiné destinado à Holanda para cunhar, em 1645, moedas de XII, VI e III florins e no ano seguinte fez nova emissão com o restante do ouro.
Estas moedas chamadas de obsidionais (de emergência ou de necessidade) foram as primeiras cunhadas no Brasil e são muito raras. São destacadas das demais moedas pela sua forma quadrangular e pela pouca espessura.
As peças de 1654 foram produzidas após a capitulação dos holandeses, são de prata com características semelhantes às de ouro, consideradas também moedas de necessidade. Maurício de Nassau
João Maurício de Nassau-Siegen (1604-1679), nobre alemão a serviço da Holanda, governou o Brasil Holandês entre 1637 e 1644. Durante seu governo, planejou e dirigiu o desenvolvimento urbano de Recife, construindo pontes, palácios, a primeira sinagoga da América, o observatório astronômico, os jardins botânico e zoológico e um museu. Expandiu o território com a anexação do Ceará, Sergipe e Maranhão e concedeu empréstimos aos senhores de engenho para dinamizar a produção do açúcar, consolidando assim a permanência holandesa no Nordeste.
Apesar de calvinista, permitiu a liberdade de culto entre holandeses, franceses, italianos, belgas, alemães, flamengos e judeus. Oriundos da Península Ibérica e do norte europeu, foram atraídos para a Nova Holanda pela tolerância religiosa que não havia na Europa.
O Conde de Nassau ainda estimulou estudos científicos e trabalhos artísticos junto aos integrantes de sua missão científico-artística, como Albert Eckhout, Frans Post e George Marcgrave. Entretanto, divergências entre sua forma de governar e os lucros esperados pela Companhia das Índias Ocientais levaram-no a deixar o cargo e retornar à Holanda. Nassau chegou solteiro aos últimos dias de sua vida e faleceu na sua propriedade rural, nos arredores de Cleve.

DOAÇÃO

Na exposição "A Presença Holandesa no Brasil: Memória e Imaginário" o público pode apreciar, ainda, duas cadeiras de origem holandesa em madeira torneada, tendo o assento e encosto em couro preso com tachas de metal.
Datadas de 1697, as cadeiras foram doadas ao acervo do Museu em fevereiro de 2005 pelo espólio de Nelson Grimaldi Seabra, através de seu herdeiro e inventariante Nelson Seabra Veiga.