Durante o período colonial, e até meados do século XX, foi grande o fascínio que as civilizações asiáticas exerceram no Brasil, refletindo uma tendência que já existia na Europa. A filosofia, as artes, as religiões, enfim, toda a vasta e milenar cultura oriental sempre foi motivo de curiosidade e de especulação, em que pesem as diferenças abissais entre o Ocidente moderno e o Oriente tradicional.
Seja o gosto pelo inusitado e pelo surpreendente, que está na origem da curiosidade humana, seja pela inegável beleza das peças orientais, o fato é que a elite brasileira se mostrou verdadeiramente deslumbrada pela expressão oriental. E não só pelo que procedia diretamente daqueles países longínquos, mas também pelos artigos oriundos da Europa, e que se enquadravam na filiação artística denominada chinoiserie - interpretação ocidental dos estilos chineses trazidos pelos viajantes europeus.
Se, por um lado, deu-se, a partir do século XIX, uma relativa ocidentalização do Oriente, com o ônus da invasão do consumo de massa, por outro, abriu-se para o Ocidente, um maior aprofundamento da compreensão do pensamento oriental. Acontecimento que influenciou tanto a conduta individual como a comunidade acadêmica a aprofundar-se nos estudos orientais. No Brasil contemporâneo, esta influência ainda é comprovadamente significativa, sobretudo nos campos da gastronomia, da arquitetura e das artes plásticas.
O sentido cultural da exposição "Sedução do Oriente: a Arte asiática na coleção do Museu Histórico Nacional", em cartaz de novembro de 2008 a novembro de 2009 é, portanto, significativo: ela une as gerações passadas, que colecionaram as peças aqui expostas, às gerações presentes e futuras, que as estudarão com mais profundidade e admiração. O que, aliás, parece confirmar o que expressa a filosofia chinesa: os opostos não são antagônicos, mas se complementam na realização do Todo, na unidade de ajuste das partes.
Através da Galeria Virtual, disponibilizamos ao público peças importantes dessa coleção, algumas podem ser vistas na exposição "A Sedução do Oriente" enquanto outras encontram-se em outras exposições permanentes ou mesmo em reserva técnica
Jorge Cordeiro - Responsável pela Reserva Técnica do Museu Histórico Nacional
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