HISTÓRIA

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Pátio
Foto: Angela Guedes


Porto do Rio de Janeiro e entrada da Barra, vendo-se no centro, ao fundo, a Ponta do Calabouço. Foto de George Lauzinger, 1867


Ponta do Calabouço, início do século XX.


Vista do Morra do Castelo. Em primeiro plano,
o portão do antigo Arsenal de guerra, 1907


Beco da Batalha, início do século XX.


A Casa do Trem após as obras de 1922.




História da Casa do Trem

Desde a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1565, a ponta que avançava sobre o mar entre as praias da Piaçaba e de Santa Luzia foi considerada estratégica para a defesa da Baia da Guanabara, tornando-se ao longo dos séculos local de um importante conjunto arquitetônico de origem militar, hoje ocupado pelo Museu Histórico Nacional.

Em 1567, Mem de Sá inicia a construção da Bateria de Santiago, ampliada em 1603 como Forte de Santiago, unidade importante do sistema de proteção da cidade. A partir de 1693, o Forte serve como prisão para escravos faltosos, passando a região a ser conhecida como a Ponta do Calabouço.

Em 1762, o Governador e Capitão-Geral do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade - o Conde de Bobadela - manda erigir, próximo ao Forte de Santiago, a Casa do Trem, destinada à guarda do trem de artilharia - canhões , armas, peças de reposição e munição - das novas tropas enviadas por Portugal para reforçar a defesa da cidade, ameaçada por corsários em busca do ouro vindo das Minas Gerais. Naquela época, não eram fabricadas armas no Brasil, que, na sua condição de colônia, recebia todo o material bélico da metrópole.

Com a elevação do Rio de janeiro à condição de capital do Estado do Brasil, o vice-rei D. Antonio Álvares da Cunha, o Conde da Cunha, constrói em 1764, entre o Forte de Santiago e a Casa do Trem, o Arsenal de Guerra, destinado ao reparo de armas e fabricação munições. Data deste período o Pátio da Minerva, atual entrada do Museu. A chegada da família real, a Independência e o estabelecimento do Império transformaram a área num grande centro de produção e guarda de armas e munições para o Exército Brasileiro, originando a construção de diversos anexos.

A Casa do Trem passa a contar com uma fundição, de cujas fornalhas, além do material militar, saem em 1783 as primeiras esculturas fundidas em bronze na América, as figuras de Eco e Narciso, hoje no Jardim Botânico, entre outras de Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim.

O Alvará de 1º de março de 1811 cria a Real Junta dos Arsenais do Exército, Fábricas e Fundição, visando incrementar as atividades do Arsenal, que passa a chamar-se Arsenal Real do Exército. Neste mesmo ano é instalada na Casa do Trem, que nunca chegou a funcionar como quartel de artilharia devido às suas pequenas dimensões, a Real Academia Militar, provavelmente a primeira instituição de ensino superior não religiosa do Brasil. No ano seguinte, no entanto, a Academia muda-se para o seu local definitivo no Largo de São Francisco.

No inicio do século XX, a região do Calabouço, já densamente povoada, torna-se inadequada para o Arsenal de Guerra, que é transferido para o bairro do Caju, onde permanece até hoje.

O destino do conjunto da Ponta do Calabouço é incerto, até ser integrado à Exposição do Centenário da Independência, quando a área é aterrada com o desmonte do Morro do Castelo e suas edificações totalmente reformadas - os elementos decorativos de inspiração neo-colonial e a cor rosa datam desta época, tendo sido posteriormente retirados - para sediar o Palácio das Grandes Indústrias, em caráter temporário, e o Museu Histórico Nacional, que é inaugurado em duas salas da Casa do Trem em 12 de outubro de 1922.

Durante o século XX, o Museu Histórico Nacional passa a ocupar todo o conjunto arquitetônico da Ponta do Calabouço, que retoma na década de 70 as características coloniais, tornando-se um dos mais importantes museus do Brasil.