1808 - Com a vinda de D. João VI, o "quartel do Trem se destinou para as
cavalariças reais e morada dos empregados nesta repartição do serviço real".
1811 - Durante um ano a Casa do Trem abriga em uma de suas salas a Real
Academia Militar. Em Alvará do dia primeiro de março, D. João VI cria a
Real Junta de Fazenda dos Arsenais, Fábrica e Fundição da capitania do Rio
de janeiro. Após o Alvará, "muitas alterações" ocorreram para melhorar o
funcionamento e transformar as modestas oficinas num verdadeiro arsenal.
1821 - São realizadas obras de ampliação do conjunto arquitetônico da Ponta
do Calabouço.
1832 - São construídas casas no local. "o anexo ficaria unido à antiga Casa
do Trem desde o largo da Misericórdia até o mar".
1871 - Segundo um documento sem fonte: um violento incêndio reduziu a
cinzas diversas dependências desse estabelecimento na noite de Santo
Antonio, de 12 a 13 de junho. Não há indicação no documento de que alguma
dependência da Casa do Trem tenha sido afetada. No entanto, o incêndio foi
mais um indício de que a área densamente povoada não era mais adequada à
expansão do Arsenal. Começa-se a falar em mudanças para uma área no interior.
1879 - Disponíveis planta e fachada da Casa do Trem, com legenda de todos
os usos. Destaque para a localização da Capela do Arsenal, "edificada
atrás da Casa do Trem com frente voltada para a antiga rua dos Tambores,
que foi incorporada às edificações do arsenal após as obras de 1835".
1898 - Preso na Casa do Trem, o assassino do Marechal Carlos Machado
Bittencourt, Marcellino Bispo de Mello, morre enforcado em sua cela. O
assassinato do Ministro da Guerra ocorreu na entrada do Arsenal - onde
hoje existe uma placa alusiva ao fato - durante o atentado ao Presidente da
República Prudente de Moraes, que comemorava o retorno dos militares
vitoriosos na campanha de Canudos.
1902 - "Permaneceu o Arsenal no mesmo local até 10 de novembro de 1902"
1908 - Mudança do Arsenal para o Caju. "Aliás a mudança de todas as
oficinas não tinha ainda se processado normalmente ... As oficinas de maior
importância ainda estavam no Largo do Moura".
1922 - A região do Calabouço transforma-se completamente com as obras para
a Exposição do Centenário da Independência, com a desapropriação e
demolição de muitos prédios urbanos e o desaparecimento de várias ruas,
vielas e becos.
A reforma do Arsenal ficou a cargo dos arquitetos Arquimedes Memória e
Francisque Cuchet, designados pelo Prefeito Carlos Sampaio "para a
reconstrução do Antigo Arsenal - que todos queriam que fosse demolido, à
exceção do grande Presidente Epitácio Pessoa que me apoiou na resolução,
que tinha tomado, de conservá-lo".
Em relação à Casa do Trem, diz Winz que "... foi levantado no corpo
central um terceiro pavimento - a frente uma pérgola com colunas tendo os
fustes boleados; circundando o segundo e o terceiro pavimentos foi aplicada
uma cornija formada por telhas em calha de cor azul clara; apliques
inestéticos nas janelas e portas vieram complementar a obra de deformação
.... "
Criado pelo decreto nº 15.596, de 2 de agosto de 1922, o Museu Histórico
Nacional é inaugurado no dia 12 de outubro do mesmo ano em duas salas da
Casa do Trem.
1923 - "O Museu Histórico Nacional passa a ocupar o antigo prédio da Casa
do Trem e a ala do edifício fronteira ao Palácio dos Estados ...., sendo
utilizados os armários, estantes e outros móveis que tinham servido para
mostruários na exposição ... "
1931 - Com a ascensão do Presidente Getúlio Vargas em 1930, a Casa do Trem
sofre transformações em suas instalações. "Foi feita uma portaria, sendo o
seu piso pavimentado com originais ladrilhos. Para prevenir contra as águas
pluviais que inundavam o pavimento térreo da Casa do Trem, foram colocadas
nas duas portas pequenos protetores de aço".
1938 - Ainda no Governo Vargas, foram realizadas "obras de vulto" na Casa
do Trem, a saber: colocação de tacos nos pisos das salas principais;
pintura geral do edifício; edificação no terceiro pavimento, nos pequenos
pátios existentes de quatro salas destinadas à secretaria, gabinete e
bibliotecas.
1945 - Realizadas obras para remanejamento de salas de exposição e
gabinete da direção.
1962 - Lançamento da obra "História da Casa do Trem", de Antonio Pimentel Winz
Década de 70 - O Centro de Estudos de Numismática e seu acervo ocupam o
segundo e terceiro pavimentos da Casa do Trem. O primeiro andar não tinha
funções específicas.
O conjunto arquitetônico da Ponta do Calabouço passa por reformas que lhe
restituem as características originais.
Década de 80 - O primeiro andar da Casa do Trem é ocupado pelo Programa
Nacional de Museus.
1985 - O Grupo de Arquitetura e Planejamento realiza relatório preliminar
para recuperação da Casa do Trem, que encontra-se em estado precário de
conservação.
1986 - A numismática é transferida para uma galeria no prédio do antigo
Arsenal, por um período inicialmente previsto de dois anos.
1987 - 1991 - Início das obras de recuperação da Casa do Trem, patrocinadas
pelo Governo da República Federal da Alemanha. O prédio está salvo, mas as
obras para a sua conclusão são paralisadas por falta de recursos.
1998 - Retomada das obras, com o apoio do Ministério da Cultura e do BNDES
- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Abril de 2000 - O Centro de Estudos de Numismática e seu acervo são
transferidos para a Casa do Trem.
23 de novembro de 2000 - A Casa do Trem é devolvida à cidade do Rio de
Janeiro, totalmente recuperada.
Esta cronologia foi montada a partir de relatório preliminar do Grupo de
Arquitetura e Planejamento de 1985. As citações entre aspas são de Antonio
Pimentel Winz, em "A História da Casa do Trem", publicação do Museu
Histórico Nacional, disponível para consulta na Biblioteca do Museu, datada
de 1962, exceto a citação do Prefeito Carlos Sampaio, feita por Carlos
Kessel em "Suntuoso Palácio, Infecto Bairro" no volume 30 dos Anais do
Museu Histórico Nacional .
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