CRONOLOGIA

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Panorama do Rio de Janeiro, de Emil Bauch, 1873



Arsenal do Trem em vista de pássaro. Planta do engenheiro Jacques Funck, 1770.



O Museu Histórico nacional visto da torre do Ministério da Agricultura, 1926.



Sala Miguel Calmon, do antigo circuito permanente de exposição, Casa do Trem, década de 40.





Cronologia dos principais eventos da Casa do Trem

1762 - O Conde de Bobadela ordena a construção da Casa do Trem. Há dúvida quanto ao risco e construção serem de autoria do engenheiro José Fernandes Pinto Alpoin, na época com 78 anos.

1764 - A Casa do Trem é reedificada totalmente pelo Conde da Cunha, que acrescentou no seu lado esquerdo o Arsenal do Trem, com o pátio fronteiro (atual Pátio da Minerva) circundado por grossas arcadas de granito lavado, ainda hoje existentes.
1767 - Vindo de Portugal, o Regimento de Elvas ou de Moura se aloja " ... num prédio baixo de portas e janelas, erecto próximo ao antigo porto dos padres da companhia, ao lado da antiga Casa do Trem; deu o seu nome a esse largo que lhe era fronteiro: Largo do Moura".
1770 - Projeto do marechal Jacques Funk para construções de edificações contíguas ao Arsenal e à Casa do Trem.
Entre 1779 e 1790 - No governo do vice-rei D. Luiz de Vasconcelos e Souza, preocupou-se com as obras públicas da cidade, ".... principalmente em aumentar a Casa do Trem, de cujas fornalhas então reconstruídas, saíram as mais belas obras artísticas da era colonial carioca ....".
Entre 1779 e 1783 - Foram fundidos na Casa do Trem, pelo Mestre Valentim, os dois jacarés da Fonte dos Amores, do Passeio Público.
1782 - A Casa do Trem deu apoio necessário à expedição para reconquistar a Ilha de Trindade dos ingleses e durante vários anos mandou suprimentos aos colonos e tropas destacadas para a região (forjas de ferreiros, ferramentas diversas e grilhões).
1783 - A primeira escultura é fundida no Brasil na Casa do Trem pelo Mestre Valentim. "Aliás a única repartição real que possuía na época forjas e outros elementos capazes de efetuar aqueles serviços ".
1786 - Por ocasião das comemorações do casamento de D. João VI com D. Carlota Joaquina foram feitos na Casa do Trem seis carros alegóricos.
1792 - O corpo esquartejado de Tiradentes teria sido encaminhado à Casa do Trem, onde aguardaria ser levado para Minas Gerais. O fato não tem respaldo em documentação, mas segundo o historiador Vieira Fazenda, os restos mortais de Tiradentes foram realmente levados para a Casa do Trem, onde foram salgados e colocados em sacos de couro.
1792 - 1811 - É ministrado na Casa do Trem o ensino de engenharia.
1808 - Com a vinda de D. João VI, o "quartel do Trem se destinou para as cavalariças reais e morada dos empregados nesta repartição do serviço real".
1811 - Durante um ano a Casa do Trem abriga em uma de suas salas a Real Academia Militar. Em Alvará do dia primeiro de março, D. João VI cria a Real Junta de Fazenda dos Arsenais, Fábrica e Fundição da capitania do Rio de janeiro. Após o Alvará, "muitas alterações" ocorreram para melhorar o funcionamento e transformar as modestas oficinas num verdadeiro arsenal.
1821 - São realizadas obras de ampliação do conjunto arquitetônico da Ponta do Calabouço.
1832 - São construídas casas no local. "o anexo ficaria unido à antiga Casa do Trem desde o largo da Misericórdia até o mar".
1871 - Segundo um documento sem fonte: um violento incêndio reduziu a cinzas diversas dependências desse estabelecimento na noite de Santo Antonio, de 12 a 13 de junho. Não há indicação no documento de que alguma dependência da Casa do Trem tenha sido afetada. No entanto, o incêndio foi mais um indício de que a área densamente povoada não era mais adequada à expansão do Arsenal. Começa-se a falar em mudanças para uma área no interior.
1879 - Disponíveis planta e fachada da Casa do Trem, com legenda de todos os usos. Destaque para a localização da Capela do Arsenal, "edificada atrás da Casa do Trem com frente voltada para a antiga rua dos Tambores, que foi incorporada às edificações do arsenal após as obras de 1835".
1898 - Preso na Casa do Trem, o assassino do Marechal Carlos Machado Bittencourt, Marcellino Bispo de Mello, morre enforcado em sua cela. O assassinato do Ministro da Guerra ocorreu na entrada do Arsenal - onde hoje existe uma placa alusiva ao fato - durante o atentado ao Presidente da República Prudente de Moraes, que comemorava o retorno dos militares vitoriosos na campanha de Canudos.
1902 - "Permaneceu o Arsenal no mesmo local até 10 de novembro de 1902"
1908 - Mudança do Arsenal para o Caju. "Aliás a mudança de todas as oficinas não tinha ainda se processado normalmente ... As oficinas de maior importância ainda estavam no Largo do Moura".
1922 - A região do Calabouço transforma-se completamente com as obras para a Exposição do Centenário da Independência, com a desapropriação e demolição de muitos prédios urbanos e o desaparecimento de várias ruas, vielas e becos.
A reforma do Arsenal ficou a cargo dos arquitetos Arquimedes Memória e Francisque Cuchet, designados pelo Prefeito Carlos Sampaio "para a reconstrução do Antigo Arsenal - que todos queriam que fosse demolido, à exceção do grande Presidente Epitácio Pessoa que me apoiou na resolução, que tinha tomado, de conservá-lo".
Em relação à Casa do Trem, diz Winz que "... foi levantado no corpo central um terceiro pavimento - a frente uma pérgola com colunas tendo os fustes boleados; circundando o segundo e o terceiro pavimentos foi aplicada uma cornija formada por telhas em calha de cor azul clara; apliques inestéticos nas janelas e portas vieram complementar a obra de deformação .... "
Criado pelo decreto nº 15.596, de 2 de agosto de 1922, o Museu Histórico Nacional é inaugurado no dia 12 de outubro do mesmo ano em duas salas da Casa do Trem.
1923 - "O Museu Histórico Nacional passa a ocupar o antigo prédio da Casa do Trem e a ala do edifício fronteira ao Palácio dos Estados ...., sendo utilizados os armários, estantes e outros móveis que tinham servido para mostruários na exposição ... "
1931 - Com a ascensão do Presidente Getúlio Vargas em 1930, a Casa do Trem sofre transformações em suas instalações. "Foi feita uma portaria, sendo o seu piso pavimentado com originais ladrilhos. Para prevenir contra as águas pluviais que inundavam o pavimento térreo da Casa do Trem, foram colocadas nas duas portas pequenos protetores de aço".
1938 - Ainda no Governo Vargas, foram realizadas "obras de vulto" na Casa do Trem, a saber: colocação de tacos nos pisos das salas principais; pintura geral do edifício; edificação no terceiro pavimento, nos pequenos pátios existentes de quatro salas destinadas à secretaria, gabinete e bibliotecas.
1945 - Realizadas obras para remanejamento de salas de exposição e gabinete da direção.
1962 - Lançamento da obra "História da Casa do Trem", de Antonio Pimentel Winz
Década de 70 - O Centro de Estudos de Numismática e seu acervo ocupam o segundo e terceiro pavimentos da Casa do Trem. O primeiro andar não tinha funções específicas.
O conjunto arquitetônico da Ponta do Calabouço passa por reformas que lhe restituem as características originais.
Década de 80 - O primeiro andar da Casa do Trem é ocupado pelo Programa Nacional de Museus.
1985 - O Grupo de Arquitetura e Planejamento realiza relatório preliminar para recuperação da Casa do Trem, que encontra-se em estado precário de conservação.
1986 - A numismática é transferida para uma galeria no prédio do antigo Arsenal, por um período inicialmente previsto de dois anos.
1987 - 1991 - Início das obras de recuperação da Casa do Trem, patrocinadas pelo Governo da República Federal da Alemanha. O prédio está salvo, mas as obras para a sua conclusão são paralisadas por falta de recursos.
1998 - Retomada das obras, com o apoio do Ministério da Cultura e do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Abril de 2000 - O Centro de Estudos de Numismática e seu acervo são transferidos para a Casa do Trem.
23 de novembro de 2000 - A Casa do Trem é devolvida à cidade do Rio de Janeiro, totalmente recuperada.
Esta cronologia foi montada a partir de relatório preliminar do Grupo de Arquitetura e Planejamento de 1985. As citações entre aspas são de Antonio Pimentel Winz, em "A História da Casa do Trem", publicação do Museu Histórico Nacional, disponível para consulta na Biblioteca do Museu, datada de 1962, exceto a citação do Prefeito Carlos Sampaio, feita por Carlos Kessel em "Suntuoso Palácio, Infecto Bairro" no volume 30 dos Anais do Museu Histórico Nacional .