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Organizada pelo Instituto Camões, em Brasília, em colaboração com o
Ministério da Cultura de Portugal, a exposição, aberta ao público de 4 de
outubro a 20 de novembro, apresenta a tradição dos lenços e colchas de
chita de Alcobaça, que a partir do século XX, passaram a ser adquiridos
como antigüidades e a despertar a atenção dos colecionadores mais
esclarecidos.
Com curadoria de Maria Augusta Trindade Ferreira e apoio de Adelaide
Cervans Rodrigues, a exposição reúne peças dos séculos XVIII e XIX
estampadas com motivos orientais, aves e flores e
selecionadas por Jorge Pereira de Sampaio em coleções portuguesas.
A mostra foi aberta com desfile de modas do estilista Augustus, trazendo
o que há de mais expressivo nas roupas confeccionadas com chitas de
Alcobaça. Desde os anos 40, em Portugal, os concursos de vestidos de chita
viraram moda no verão em praias mais selecionadas, os chamados "Baile de
Chita". Segundo Maria Augusta Trindade Ferreira, "é uma forma de lembrar
como, desde o século XVIII até meados do século XIX, as chitas tiveram um
lugar importante até mesmo nas relações comerciais Portugal x Brasil".
Atualmente, nota-se um renascer do uso da chita de Alcobaça em decoração,
especialmente em antigos solares adaptados ao turismo, e até mesmo em casas
particulares.
Aquarelas da artista portuguesa Isabel Henriques também integram a exposição.
A realização desta exposição no Museu Histórico Nacional reveste-se de
grande importância.
Em primeiro lugar, reafirma a continuidade do profícuo intercâmbio entre
Brasil e Portugal, acentuado nos últimos seis anos, renovando os
laços culturais entre os dois países, através da apresentação da
tradicional arte dos algodões estampados de Alcobaça, que, desde o século
XVI à atualidade, conserva o refinamento e o elevado gosto decorativo.
As colchas e os lenços de Alcobaça, conhecidos por poucos no Brasil, foram,
no entanto, muito usados pelos imigrantes portugueses que chegaram ao país
nas primeiras décadas do século XX , reafirmando não somente as nossas
raízes culturais, mas também introduzindo novas influências
incorporadas à indústria contemporânea.
Em segundo lugar, esta exposição prestigia e dinamiza o setor de Artes
Decorativas, ilustrando os usos e costumes sociais de um povo com o qual
temos mantemos estreita relação e complementando o precioso acervo têxtil,
que inclui, entre outros itens, lenços, toalhas, colchas e rendas.
Complementam a exposição reproduções de gravuras antigas mostrando o
processo de plantação e recolha do algodão assim como a evolução do
algodoeiro às indústrias, livros e objetos sobre estamparia e fabricação de
chitas.
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